Posts Tagged ‘Cadastro Técnico Multifinalitário’

05
abr

SIG contribui para otimização da gestão municipal

Escrito por Reinaldo Gasparin. Categoria: Uncategorized

Não é de hoje que os trabalhos dentro da administração pública municipal, por menor que seja a cidade, se tornam confusos, o que pode acontecer devido à grande quantidade de processos e encargos burocráticos. Uma das soluções para eliminar estes obstáculos está sendo o uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para agilizar as análises e a tomada de decisão.

MundoGEO#Connect LatinAmerica 2012 , maior encontro do setor de geotecnologia da América Latina, que acontece de 29 a 31 de maio no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP), irá promover um curso que abordará a utilização do SIG na gestão pública municipal, em áreas como finanças, saúde, educação, planejamento e cadastro. O curso acontece no dia 29 de maio, das 9h às 17h45.

O instrutor do curso GIS para Gestão Municipal  é Flavio Yuaca, especialista em geoprocessamento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrante do projeto de geoprocessamento da Prefeitura de Goiânia. Além disso, Yuaca foi instrutor da Geospatial Information & Technology Association (Gita); docente em cursos de especialização, em disciplinas relacionadas com uso do GIS em áreas urbanas; palestrante em eventos de GIS; e também autor de diversos artigos de GIS em prefeituras.

Alguns dos tópicos abordados nesse curso abrangem conceitos e características, do GIS para gestão municipal, principais etapas do processo, adoção de GIS corporativo, aplicações práticas, dificuldades para implementação, entre outros.

Para participar do curso não é preciso ter experiência anterior em GIS ou sistemas de informação. Você pode se inscrever pelo link http://loja.mundogeo.com/loja/product.asp?store=107630&template_id=6&partner_id=1004&dept_id=2&pf_id=201208.

Cadastro Territorial Multifinalitário

Um dos assuntos que tem ganhado importância, entre quem trabalha com gestão territorial no setor público, é o Cadastro Territorial Multifinalitário (CTM), cujo objetivo é organizar as informações dos municípios, principalmente referentes à mapeamento do território. Com o CTM, vários setores da administração pública, se não a totalidade deles, têm acesso à essas informações.

Com o curso sobre GIS na Gestão Municipal, o profissional irá adquirir conhecimento sobre o potencial das ferramentas de SIG para otimizar os trabalhos em vários setores dentro de prefeituras, dentre eles o de CTM.

Serviço
Curso: GIS na Gestão Municipal
Data: 29 de maio, das 9h às 17h45
Local: Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo
Informações: http://mundogeoconnect.com/2012/grade/curso-gis-para-gestao-municipal/

16
jul

Cadastro Técnico Multifinalitário

Escrito por Reinaldo Gasparin. Categoria: Uncategorized

Esta semana estive participando do 9o Congresso de Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão Territorial, em duas mesas redondas. Um dos aspectos discutidos foi o fato de o Cadastro (CTM) ainda ser um desconhecido da maioria das pessoas, incluindo aí os tomadores de decisões (gestores públicos), a população em geral e mesmo muitos técnicos da área de planejamento urbano.

Por isso, resolvi escrever este post explicando um pouco o que é, afinal de contas, o CTM.

Definição de Cadastro Técnico Multifinalitário (CTM)

O Cadastro Técnico Multifinalitário pode ser entendido como um sistema de registro dos elementos espaciais que representam a estrutura urbana, constituído por uma componente geométrica e outra descritiva que lhe conferem agilidade e diversidade no fornecimento de dados para atender diferentes funções, inclusive a de planejamento urbano (BLACHUT et al, 1974).

Segundo Blachut et al (1980), o cadastro urbano possui três funções básicas:

  1. função fiscal, que se refere à identificação dos bens imóveis e de seus proprietários com a finalidade de regulamentar o recolhimento de impostos;
  2. função jurídica, que se refere à determinação dos direitos de propriedade;
  3. função de planejamento que, segundo os autores, “está deslocando-se rapidamente para o ponto central das operações cadastrais, e como resultado disso o cadastro está adquirindo uma certa característica multifinalitária” (BLACHUT et al, 1980).

Em outras palavras, o CTM é uma base cartográfica e alfanumérica que descreve o sistema urbano (e rural) através das suas unidades imobiliárias, especialmente as parcelas e edificações, mas também com os eixos de logradouros.

Fig 1 - SIG - ArqT
Fig. 1 – O cadastro integra informações gráficas (cartográficas) a informações alfanuméricas (uso do solo, proprietário, número de pavimentos, etc.) em um mesmo sistema (SABOYA, 2000).

Dessa forma, o CTM torna-se uma base sobre a qual podem ser construídas diversas bases temáticas, tais como o cadastro tributário, a base de dados do sistema de saúde, o cadastro de áreas verdes e públicas, e assim por diante.

O maior apelo, atualmente, para a construção do cadastro é a atualização da base de contribuintes do IPTU, o que pode gerar aumento na arrecadação do imposto. Seus defensores argumentam que o custo para a implementação e atualização do cadastro (que não é pequeno) pode ser recuperado em poucos anos apenas com o acréscimo na arrecadação do IPTU.

O CTM deve integrar e compatibilizar a definição dos limites físicos da propriedade com os limites legais.

Idealmente, além disso, o CTM deve integrar e compatibilizar os dados da prefeitura com o registro de imóveis, de forma a identificar, de maneira clara, quais são os reais limites das propriedades imobiliárias e quem são os proprietários. Para isso, deve identificar os pontos dos limites comcoordenadas geográficas precisas. Isso significaria o fim de muitas disputas judiciais sobre os limites das propriedades causadas por invasões de terras e também as incertezas advindas das descrições atuais, em grande parte baseadas em referências que mais parecem piadas (algo como “da curva do Rio X até 200m depois do bar do seu Zé”).

Isso, entretanto, ainda parece ser um sonho distante da realidade brasileira, apesar da crescente procura e interesse pelo CTM, que tem sido implementado em muitos municípios brasileiros mas apenas com fins tributários.

Funções e objetivos do CTM

Loch (2005) cita uma série de objetivos do cadastro multifinalitário, que podem ser sintetizados da seguinte maneira:

  • coletar e armazenar informações descritivas do espaço urbano, mantendo-as atualizadas;
  • implementar e manter atualizado o sistema cartográfico;
  • fornecer informações aos processos de tomada de decisões inerentes ao planejamento e à gestão urbanos;
  • tornar mais confiáveis as transações imobiliárias através de uma definição precisa da propriedade imobiliária; e
  • disponibilizar essas informações para os órgãos públicos e para a sociedade em geral.

No que diz respeito mais especificamente ao planejamento urbano, o CTM pode ser considerado um modelo descritivo do espaço urbano. Modelos descritivos, como o próprio nome diz, são representações simplificadas de uma determinada realidade com vistas a descrevê-la para que seja possível manipulá-la. Eles são necessários, por exemplo, para a construção de modelos explanatórios (ou teorias) sobre os sistemas urbanos.

Portanto, o CTM, se bem estruturado, pode ser uma base fundamental para o planejamento urbano. Mas isso é assunto para o próximo post.

A estrutura de um CTM

O Cadastro é composto por várias camadas de informações, representadas de forma cartográfica, associadas a tabelas de dados alfanuméricos que possuem vinculação aos dados espaciais. Como a Figura 1 mostrou acima, essas tabelas podem ter os mais variados atributos para os elementos gráficos, tais como proprietário, uso do solo, número de pavimentos, área construída, zoneamento no qual está inserido, presença de áreas alagáveis, e assim por diante. Cada linha de uma tabela é chamada de registro, e refere-se a um elemento espacial na base cartográfica.

Esse conjunto de dados de naturezas diversas é gerenciado por um Sistema de Informações Geográficas, ou SIG.

gis_layers
Fig. 2 – O CTM é composto por várias camadas de informação, assim como por tabelas de dados alfanuméricos vinculadas a elas, gerenciadas por um Sistema de Informações Geográficas (SIG). Fonte da Imagem: aqui.

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Fig. 3 – Imagem da base cadastral de Florianópolis (Centrinho da Lagoa) disponível emhttp://geo.pmf.sc.gov.br/geo_fpolis/index3.php.

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Fig. 4 – Imagem da base cadastral de Balneário Camboriú – SC disponível emhttp://geo.camboriu.sc.gov.br/balneariocamboriu_internet/home.asp

Referências bibliográficas

BLACHUT, T. et al. Cadastre as a basis of a general land inventory of the country. In: Cadastre: various functions characteristics techniques and the planning of land record system. Canada: National Council, 1974.

BLACHUT, T; CHRZANOWSKI, A; SAASTAMOINEN, J. Cartografía e levantamientos urbanos. México: Dirección general de Geografia del Territorio Nacional, 1980.

LOCH, Carlos. Cadastro técnico multifinalitário: instrumento de política fiscal e urbana. In: ERBA, Diego Alfonso; OLIVEIRA, Fabrício Leal; LIMA JUNIOR, Pedro (org.) Cadastro multifinalitário como instrumento de política fiscal e urbana. Rio de Janeiro: 2005. p. 71 – 99.

SABOYA, Renato. Análises espaciais em planejamento urbano: novas tendências. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 3, p. 61 -79, 2000.

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